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Nº 38 - 05/12/2008

Crise afeta mercado de carros usados

Vendas 25% menores

Novas projeções para 2008

Para Anef, mercado deve normalizar

  ::Crise afeta mercado de carros usados

A crise financeira internacional já reflete nas vendas de carros usados. Maior taxa de juros, menor disponibilidade de crédito bancário e mais incertezas com relação ao futuro. São esses três efeitos da crise que estão provocando impacto nos negócios. Segundo fontes do setor, criou-se uma espécie de Apartheid neste mercado, no qual apenas parte da população tem acesso ao crédito na compra do veículo usado. As classes D e E, caracterizadas por consumidores que compram carros na faixa de R$ 20 a R$ 25 mil, com prestações de R$ 350 a R$ 400, e com financiamento na média de 60 meses, foram as mais afetadas.

A redução do crédito na compra destes veículos resultou no aumento dos estoques nas concessionárias e na sua alta desvalorização na troca por um zero-quilômetro. Os motivos apontados pela maioria dos revendedores são os mesmos: a dificuldade de conseguir crédito junto às financeiras e a elevada taxa de juros, que já passa dos 2% ao mês e continua crescendo.

O consultor de vendas da Renault Gran Brasil Ibirapuera, Alexandre dos Santos Augusto, explica que 70% dos negócios são de consumidores que desejam oferecer seu carro usado como parte de pagamento do novo. “Estamos perdendo muitas vendas por não conseguirmos liquidar nossos estoques. Um carro que pagávamos R$ 28mil, agora mal pagamos R$ 18 mil”, afirma o consultor.

  ::Vendas 25% menores

Ainda sob impacto da crise financeira mundial, a comercialização de veículos zero-quilômetro voltou a cair no mês de novembro. Em relatório divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a venda de veículos de passeio e comerciais leves neste mês foi 25,07% abaixo em relação ao mês anterior. No comparativo com novembro de 2007, os negócios caíram 25%. Apesar da desaceleração do mercado, no acumulado do ano as vendas de 2,63 milhões são recorde histórico e um avanço de 18,27% sobre as vendas de janeiro a novembro do ano passado.

Mais vendidos em Novembro

Posição

Empresa

Modelo

Valor (R$)

VW

Gol

17.995

Fiat

Uno

9.931

Fiat

Palio

9.450

Honda

Civic

6.535

GM

Celta

6.175

VW

Fox/Cross

6.072

GM

Corsa Sedan

6.041

Fiat

Siena

5.174

Toyta

Corolla

3.949

10º

Ford

Ka

3.618

  ::Novas projeções para 2008

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, admitiu que existe dificuldade para o setor vender 3 milhões de unidades este ano, conforme previa a entidade. Com isso a Anfavea refez suas projeções para 2008, para 2.815.000.000 veículos comercializados até o fim do ano, o que irá representar uma alta de 14,3% sobre os números de 2007. Com a queda nas vendas, em novembro o total de veículos em estoque nas concessionárias e pátios das fábricas chegou a 305 mil unidades, o que representa 56 dias. Em outubro, o estoque ficou em 38 dias.

Embora o governo tenha se esforçado, por meio do Banco do Brasil e da Nossa Caixa, os R$ 8 bilhões em crédito aos bancos das montadoras ainda não refletiram nos negócios do setor. Assim, com recuo de 25,7% nas vendas em novembro sobre outubro, para 177,8 mil unidades, a produção de veículos no Brasil registra queda de 34,4% no mês. "Foi uma freada da produção muito forte", destacou Schneider, sobre o resultado de novembro em relação a outubro. "Dezembro pode ser melhor do que novembro, por causa do 13º salário, das férias coletivas e das PLRs (Participação dos Lucros e Resultados) das empresas", acrescenta.

A entidade evitou falar sobre projeções para o próximo ano. Segundo o executivo, o desempenho de 2009 depende do retorno do fluxo de crédito e da superação do pessimismo no mercado mundial. Ainda de acordo com Schneider, graças ao bom resultado de janeiro a setembro no setor, 2008 foi o melhor ano da indústria automobilística nacional.

A Renault do Brasil mantém os seus planos de investimento para 2009, anunciado em outubro de 2006. A montadora está injetando, entre 2006 e 2009, aproximadamente R$ 1 bilhão no desenvolvimento de novos produtos. Além disso, a empresa ultrapassou em outubro o patamar de 100 mil veículos comercializados em 2008. Esse volume, superior ao total vendido em 2007 (73.608 unidades), representa um recorde histórico para a companhia, mesmo a dois meses do fechamento do ano.

  ::Para Anef, mercado deve normalizar

Com a dificuldade no crédito, o setor automobilístico registrou no mês de novembro nova retração, com uma queda de 25% nas vendas. Na avaliação da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), este cenário deve melhorar com a liberação das linhas de crédito de R$ 8 bilhões do Banco do Brasil e da Nossa Caixa para os bancos das montadoras. "Os recentes acordos com os governos federal e estadual, se levados a efeito, adicionados ao restabelecimento gradual dos níveis de confiança do público consumidor, devem auxiliar na recuperação do mercado”, afirma Luiz Montenegro, presidente da Anef.

O último levantamento da entidade apontou um aumento de 31,6% das carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing no mês de outubro, em comparação ao mesmo período de 2007. Ambas somaram R$ 136,6 bilhões. Já se comparadas ao mês anterior, as carteiras apresentaram leve retração de 0,7%, resultado de uma queda de 3% no saldo do CDC e um aumento de 2,7% da carteira de Leasing.

Ainda segundo dados da Anef, as taxas de juros no mês de outubro ficaram em 1,86% a.m. e 24,75% a.a. No mesmo período de 2007, as taxas estavam em 1,5% a.m. e 19,56% a.a. Já em setembro de 2008, a Anef registrou juros de 1,78% a.m. e 23,58% a.a. A inadimplência acima de 90 dias registrada em outubro foi de 3,93% da carteira, contra 3,06% no mesmo período do ano passado. Em setembro, o índice foi de 3,83%, o que mostra um pequeno crescimento de 0,10 pontos percentuais em um mês.

Para Carlos Venceslau, gerente nacional de vendas da Renault Brasil, o mercado está se normalizando com a volta da oferta de crédito para o consumidor e mecanismos para financiar os veículos. "Os bancos estão operando com mais cautela, mas as operações de crédito estão se normalizando e o mercado já mostra maior liquidez", afirma Venceslau.

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