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::Crise
afeta mercado de carros
usados | |

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A
crise financeira internacional já reflete nas vendas de carros
usados. Maior taxa de juros, menor disponibilidade de crédito
bancário e mais incertezas com relação ao futuro. São esses três
efeitos da crise que estão provocando impacto nos negócios. Segundo
fontes do setor, criou-se uma espécie de Apartheid neste mercado, no
qual apenas parte da população tem acesso ao crédito na compra do
veículo usado. As classes D e E, caracterizadas por consumidores que
compram carros na faixa de R$ 20 a R$ 25 mil, com prestações de R$
350 a R$ 400, e com financiamento na média de 60 meses, foram as
mais afetadas.
A redução do crédito na compra destes
veículos resultou no aumento dos estoques nas concessionárias e na
sua alta desvalorização na troca por um zero-quilômetro. Os motivos
apontados pela maioria dos revendedores são os mesmos: a dificuldade
de conseguir crédito junto às financeiras e a elevada taxa de juros,
que já passa dos 2% ao mês e continua crescendo.
O consultor
de vendas da Renault Gran Brasil Ibirapuera, Alexandre dos Santos
Augusto, explica que 70% dos negócios são de consumidores que
desejam oferecer seu carro usado como parte de pagamento do novo.
“Estamos perdendo muitas vendas por não conseguirmos liquidar nossos
estoques. Um carro que pagávamos R$ 28mil, agora mal pagamos R$ 18
mil”, afirma o consultor. |
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Ainda
sob impacto da crise financeira mundial, a comercialização de
veículos zero-quilômetro voltou a cair no mês de novembro. Em
relatório divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de
Veículos Automotores (Fenabrave), a venda de veículos de passeio e
comerciais leves neste mês foi 25,07% abaixo em relação ao mês
anterior. No comparativo com novembro de 2007, os negócios caíram
25%. Apesar da desaceleração do mercado, no acumulado do ano as
vendas de 2,63 milhões são recorde histórico e um avanço de 18,27%
sobre as vendas de janeiro a novembro do ano passado.
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Mais vendidos em
Novembro |
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Posição |
Empresa |
Modelo |
Valor
(R$) |
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1º |
VW |
Gol |
17.995 |
|
2º |
Fiat |
Uno |
9.931 |
|
3º |
Fiat |
Palio |
9.450 |
|
4º |
Honda |
Civic |
6.535 |
|
5º |
GM |
Celta |
6.175 |
|
6º |
VW |
Fox/Cross |
6.072 |
|
7º |
GM |
Corsa
Sedan |
6.041 |
|
8º |
Fiat |
Siena |
5.174 |
|
9º |
Toyta |
Corolla |
3.949 |
|
10º |
Ford |
Ka |
3.618 | |
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::Novas
projeções para
2008 | |

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O
presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, admitiu que existe
dificuldade para o setor vender 3 milhões de unidades este ano,
conforme previa a entidade. Com isso a Anfavea refez suas projeções
para 2008, para 2.815.000.000 veículos comercializados até o fim do
ano, o que irá representar uma alta de 14,3% sobre os números de
2007. Com a queda nas vendas, em novembro o total de veículos em
estoque nas
concessionárias
e pátios das fábricas chegou a 305 mil unidades, o que representa 56
dias. Em outubro, o estoque ficou em 38 dias.
Embora o
governo tenha se esforçado, por meio do Banco do Brasil e da Nossa
Caixa, os R$ 8 bilhões em crédito aos bancos das montadoras ainda
não refletiram nos negócios do setor. Assim, com recuo de 25,7% nas
vendas em novembro sobre outubro, para 177,8 mil unidades, a
produção de veículos no Brasil registra queda de 34,4% no mês. "Foi
uma freada da produção muito forte", destacou Schneider, sobre o
resultado de novembro em relação a outubro. "Dezembro pode ser
melhor do que novembro, por causa do 13º salário, das férias
coletivas e das PLRs (Participação dos Lucros e Resultados) das
empresas", acrescenta.
A entidade evitou falar sobre
projeções para o próximo ano. Segundo o executivo, o desempenho de
2009 depende do retorno do fluxo de crédito e da superação do
pessimismo no mercado mundial. Ainda de acordo com Schneider, graças
ao bom resultado de janeiro a setembro no setor, 2008 foi o melhor
ano da indústria automobilística nacional.
A Renault do
Brasil mantém os seus planos de investimento para 2009, anunciado em
outubro de 2006. A montadora está injetando, entre 2006 e 2009,
aproximadamente R$ 1 bilhão no desenvolvimento de novos produtos.
Além disso, a empresa ultrapassou em outubro o patamar de 100 mil
veículos comercializados em 2008. Esse volume, superior ao total
vendido em 2007 (73.608 unidades), representa um recorde histórico
para a companhia, mesmo a dois meses do fechamento do ano.
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::Para
Anef, mercado deve
normalizar | |

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Com
a dificuldade no crédito, o setor automobilístico registrou no mês
de novembro nova retração, com uma queda de 25% nas vendas. Na
avaliação da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das
Montadoras), este cenário deve melhorar com a liberação das linhas
de crédito de R$ 8 bilhões do Banco do Brasil e da Nossa Caixa para
os bancos das montadoras. "Os recentes acordos com os governos
federal e estadual, se levados a efeito, adicionados ao
restabelecimento gradual dos níveis de confiança do público
consumidor, devem auxiliar na recuperação do mercado”, afirma Luiz
Montenegro, presidente da Anef.
O último levantamento da
entidade apontou um aumento de 31,6% das carteiras de CDC (Crédito
Direto ao Consumidor) e Leasing no mês de outubro, em comparação ao
mesmo período de 2007. Ambas somaram R$ 136,6 bilhões. Já se
comparadas ao mês anterior, as carteiras apresentaram leve retração
de 0,7%, resultado de uma queda de 3% no saldo do CDC e um aumento
de 2,7% da carteira de Leasing.
Ainda segundo dados da Anef,
as taxas de juros no mês de outubro ficaram em 1,86% a.m. e 24,75%
a.a. No mesmo período de 2007, as taxas estavam em 1,5% a.m. e
19,56% a.a. Já em setembro de 2008, a Anef registrou juros de 1,78%
a.m. e 23,58% a.a. A inadimplência acima de 90 dias registrada em
outubro foi de 3,93% da carteira, contra 3,06% no mesmo período do
ano passado. Em setembro, o índice foi de 3,83%, o que mostra um
pequeno crescimento de 0,10 pontos percentuais em um mês.
Para Carlos Venceslau, gerente nacional de vendas da Renault
Brasil, o mercado está se normalizando com a volta da oferta de
crédito para o consumidor e mecanismos para financiar os veículos.
"Os bancos estão operando com mais cautela, mas as operações de
crédito estão se normalizando e o mercado já mostra maior liquidez",
afirma Venceslau. |
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