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Nº 39 - 22/12/2008

IPI menor impulsiona vendas de carros

Uma indústria, seis montadoras

Incentivo também para carros usados

Usados sofrem leve queda

  ::IPI menor impulsiona vendas de carros

A redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada pelo governo, levou o consumidor novamente às concessionárias e reativou os negócios. A medida, que vale até 31 de março de 2009, foi tomada para aquecer o mercado de automóveis, e já mostrou resultados, com um aumento de 30% nas vendas no 1º final de semana após sua implantação.

De acordo com o gerente de vendas da Renault Brasil Ibirapuera, Daniel Dalcolmo, a redução do IPI para os carros novos deu um novo fôlego às lojas. "Neste primeiro fim de semana tivemos um reflexo significativo no volume de vendas, com um crescimento de 15%, além de aumentar o movimento em torno de 30% ", afirma Dalcolmo.

Para o vendedor da Renault Itavema Indianópolis, João Galvão Neto, a medida ajudou a acabar com o clima de crise na concessionária. "O consumidor voltou a ter confiança em comprar e os descontos e os juros baixos serviram como um forte incentivo", afirma.

O IPI sobre os carros populares, com motor de até 1.000 cilindradas, caiu de 7% para zero. Os modelos com motorização acima de 1.000 até 2.000 cilindradas sofreram redução de 13% para 5,5%. As picapes até 2 litros também sofreram redução. Já os carros com motores superiores a 2 litros mantiveram as alíquotas de 25% (gasolina) e 18% (álcool ou flex).

Se a redução do IPI for totalmente repassada, o desconto médio pode ficar entre R$ 1.200,00 e R$ 1.600,00 nos populares, e entre R$ 3.000,00 e R$ 4.000.00 nos carros com motor até 2.0 litros.

Veja como ficou a tabela do IPI

  Veículos até 1.000 cc

7% para 0%

  Veículos com 1.001 cc a 2.000 cc (gasolina)

13% para 6,5%

  Veículos com 1.001 cc a 2.000 cc (álcool ou flex)  

11% para 5,5%

  Veículos com 2.001 cc ou mais (gasolina)

permanecem em 25%

  Veículos com 2.001 cc ou mais (álcool ou flex)

permanecem em 18%

  ::Uma indústria, seis montadoras

O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou em uma entrevista que a Fiat precisa encontrar um parceiro para sobreviver à crise que afeta o setor automobilístico. Na publicação, Marchionne declarou que espera que a indústria mundial de carros se consolide nos próximos dois anos, deixando apenas seis companhias em condições de competir no setor.

O presidente da Fiat disse que para ter uma chance de fazer dinheiro, é preciso vender de 5,5 milhões a 6 milhões de carros por ano. "A Fiat não está nem na metade disso. E não estamos sozinhos nisso. Então, precisamos agregar de uma maneira ou de outra", afirmou o executivo.

Embora Marchionne não tenha comentado quem poderia ser parceiro da Fiat, as montadoras nas quais a produção ultrapassa os 5 milhões de veículos são a Toyota, GM, Volkswagen, Ford e Renault-Nissan. O executivo aposta que o mercado mundial terá duas grandes empresas norte-americanas, uma alemã, uma franco-japonesa, uma japonesa, uma chinesa e um outro potencial competidor europeu.

  ::Incentivo também para carros usados

Com a redução do IPI para a compra de automóveis novos, os carros 0 km ficaram mais baratos e, por conseqüência, os usados sofreram forte desvalorização no preço. Para incentivar a venda deste setor, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou que o Banco Central irá aumentar em mais R$ 6,5 bilhões o volume de recursos disponíveis para empréstimos aos bancos com capital de até R$ 2,5 bilhões. Para isso, usará as reservas do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida ajudará a ampliar os financiamentos a carros usados. "Agora abrimos uma nova porta para que as instituições pequenas e médias tenham funding e voltem a financiar carros e motos", afirmou.

O presidente Lula já havia confirmado que o governo trabalhava em medidas para incrementar as vendas neste segmento. "Estamos cuidando deste mercado agora para facilitar a venda de automóveis usados, porque toda pessoa pobre tem que vender o seu carrinho usado para comprar um carrinho novo", afirmou.

  ::Usados sofrem leve queda

A venda de veículos usados caiu 6,7% em São Paulo em novembro, na comparação com outubro, segundo a Assovesp (Associação dos Revendedores de Veículos Automotores de São Paulo). Já em relação a novembro de 2007, as vendas diminuíram 4,2%. Em todo o Brasil, a queda foi de 13,9% no mês passado, na comparação com outubro, e de 12,7% em relação a novembro de 2007, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Para a Assovesp, o tombo foi menor do que o dos outros segmentos do mercado automotivo. Enquanto as vendas de novos veículos caíram 26,9% em relação ao mês de outubro, o setor de usados apresentou uma leve queda, ao contrário do mês anterior. Nos carros 1.0 as vendas caíram apenas 4,7% em relação a outubro.

Os dados do mercado também já apontam uma melhora nas linhas de crédito. Em novembro 59% dos negócios com carros usados foram financiados, contra 49% em outubro. O prazo médio de financiamento foi de 47 meses em novembro contra 45 em outubro. Saldo financiado foi igual a 72% em novembro, contra 64% em outubro. Já as trocas ficaram em 58% em novembro, contra 48% em outubro.

Ainda de acordo com a Assovesp, os carros, em média, desvalorizaram 0,59% no mês de novembro. Os carros populares sofreram queda de 0,45%; os importados, 1,38%; os carros a álcool, 0,66%; e os carros flex, 0,79%. Na gama Renault, o Clio ocupa a posição de carro usado mais vendido, ocupando a 26º posição. No mês de novembro, foram vendidos 4.729 unidades do modelo. Já a participação da Renault em vendas de carros usados é de 2,37%, ocupando assim a 5º posição.

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